Quando ela nasceu, tinha olhos de azeitona. Brilhavam muito, ela estava descobrindo o mundo. Mas o mundo não a descobriu.
Com o passar do tempo, suas duas azeitonas viraram duas jabuticabas.
Ela cresceu, mas não muito. O brilho de seus olhos foi aos poucos se apagando.
Onde estaria aquele mundo que prometeram para ela? Ela o procurou, mas antes, encontrou o cigarro. Ele virou seu companheiro. O único.
Onde estavam as pessoas que perdoariam as suas esquisitices, já que ninguém é completamente normal?
Não achou nada nem ninguém. Perdeu-se completamente.
A trilha desapareceu, os outros se afastaram. Sua delicada fantasia, evaporou, assustada com tudo aquilo. Sobrou um olhar curioso em uma janela, enquanto ela percorria mais um problema que os outros lhe jogaram.
Ela preferia encarar apenas o cigarro, ele não a julgava, não olhava torto, não fingia que era igual a ela apenas para sentir melhor consigo mesmo. Ele respeitava sua vontade de fumar e deixava-se queimar nas mãos dela.
Uma hora, ela desistiu de vestir a roupa de gente normal e assumiu sua loucura. Esqueceu de tudo, “mas o cigarro fica”.
O brilho dos olhos desistiu dela e procurou outros brilhos, em algum lugar bem longe.
Então, ela achou um pedaço de madeira. Ele, sim, servia para alguma coisa. Sua única relação com a realidade, sua única lembrança de que o mundo que não pertencia a ela existia. Um companheiro nas horas de briga.
Tudo na vida dela foi embora, qualquer vestígio de felicidade que poderia ter existido mas, obviamente, não existiu.
O que resta dela?
Uma louca. As crianças se divertem dela. Nunca com ela.
Afinal, ela tem um cigarro e um pedaço de madeira. Só é divertida de longe.
Ou não?
Minha vida no momento tem dois problemas: um chama ilusão; o outro expectativa.
Por que eu tenho tantas?
Lá venho eu com as minhas perguntas que nem eu aguento mais. Sem respostas.
Eu me engano. Trapaceio comigo mesma. Me iludo. Mudo o que não deveria mudar. De novo.
Volto a ser criança. Volto a ser mulher?
Uma vez mulher, nunca mais a menina volta?
Não gosto disso. De sempre pensar que as coisas estão melhores do que realmente estão.
Me sinto inacessível para o mundo, mesmo estando tão aberta e exposta a machucados.
Palavras vem e me atormentam. Olhares. Sorrisos. Pensamentos.
Como impedir a corrosão?
Como não ver o céu azul, já que na verdade ele está nublado?
Se colocar mais um ponto de interrogação, fico louca.
Eu preciso que você me mande alguém que me ouça. Que me deixe chorar sem se chocar. Que me deixe ser quem eu sou sem ficar impressionado demais ou de menos.
Alguém que veja os meus problemas, sorria mansamente e me diga que está lá para continuar me abraçando. Que tudo vai ficar melhor. E que eu vou me sair bem.
Quero alguém que me faça rir. Que me acompanhe quando me animo para fazer algo, mesmo que ninguém mais queira.
Alguém que coloque freios no meu coração e no meu olhar.
Que cante. Que toque. Que goste de ler e não fique chocado com o meu amor com os livros.
Alguém que me ajude a tomar decisões, e não apenas me pressione para tomá-las.
Alguém que tenha um abraço bom. Que me siga com o olhar.
Que me conheça e faça uma música só pra mim.
Que compartilhe os segredos, sonhos, tudo comigo.
Que ame a própria família. Bastante.
Que seja pelo menos um pouco compreensivo.
Sonho demais?
Meu padrão é elevado demais. Disso eu sei.
Mas…
Preciso de alguém assim, Deus.
Alguém para quem eu possa mostrar todo esse texto e que no final me olhe no fundo dos olhos, diga “Te amo assim”. Me beije e me abrace.
Um prédio inclinado pela praia. 7 meninos abandonados em seu interior. 7 personalidades fortes e marcantes retratadas em um estilo de escrita inusitado e original. Afinal, o que poderia ser melhor para afastar o Tédio?
O Prédio, o Tédio e o Menino Cego.
Com sua escrita contundente e realista, Santiago surpreende seus leitores com comentários no meio do caminho, recursos poéticos (que dão as caras desde o título) e interessantes surpresas. Apesar de toda essa novidade efervescente, o autor mostra que não se esquece dos detalhes, que recheiam o romance inteiro. Seu realismo chega sem pestanejar no interior dos personagens, com seus sentimentos e pensamentos, deixando o leitor mais próximo do que (provavelmente) gostaria de estar dos moradores do prédio.
Cego, Andrógino, Narciso, Atleta, Junkie, Gordo e Ejetado..
Característica e nomes. Tudo isso é misturado quando Regina (a primeira com nome “normal”), a misteriosa professora, chega e decide colocar as coisas em ordem. De vários tipos.
Não se deixe enganar pelo inicial sentimento de “livro infanto-juvenil” no início do romance. Este livro vai deixar seu tédio a quilômetros de distância. Pelo menos foi o que aconteceu com o meu.*
*Li a metade final do livro em uma madrugada. Na verdade, só descobri que foi em uma madrugada quando finalmente terminei o livro e olhei para o relógio.
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Ah! O futuro. É difícil esperar até que ele finalmente chegue.
Né?
Na época em que o inventaram, tenho certeza de que não existia internet, estradas retas e aviões supersônicos. Ou seja, ele vem a passos de… passos. A pé mesmo.
Enfim, é uma lerdeza. Acho que é crônica.
Mas serei justa: de vez em quando, no momento em que já esquecemos que ele existe, que já tiramos ele da órbita e continuamos o jogo sem 2˚ tempo, ele, o sem mãe chega.
E pior: chega como se fosse o dono da festa. Acha que tá abafando. Tá abafando a felicidade alheia, provavelmente.
Isso porque ele nunca é do jeito que as cartas (ou fax? O que é mais antigo que carta?) que ele manda dizem que ele é.
Resumindo: sempre surge a frustração (super infantil, como sempre) e diz: achei que a carta (ou fax) ficaria mais bonita se eu fizesse uns desenhos em todos lugares cima.
O problema da frustração é que a realidade, em geral, só precisa ser real. A beleza fica por conta de outra coisa.
Mas finalmente o futuro chega, com seus olhos brilhantes, cabelos ao vento e… pera aí. A frustração desenhou esses cabelos por aqui.
Melhor não enfeitar o futuro. A frustração, como sempre, vai rir da sua cara porque você acreditou no desenho que ela fez.
O presente (irmão do meio do futuro) é um pouco mais confiável. Tá certo que ele meio instável, mas quem não é nos dias de hoje? Coitado.
Mas ele deve saber um pouco mais sobre o caçula. Né? Espero que não estejam brigados. Seria #tenso
O passado é meio rabugento. Mas tá perdoado, porque vive de extremos. Ou as pessoas amam, ou odeiam. Ninguém é capaz de ser feliz desse jeito. Ou normal.
Todo mundo que vive muito nos extremos acaba meio psicótico desequilibrado.
No final, acho que só o futuro que tem salvação mesmo.
E que venha com olhos brilhantes, num cavalo (é um pouco mais rápido que a pé) mãos macias e cabelos ao vento.
Ok, ok. Pela velocidade (e desenhos que a frustração fez quando o passado ainda não era tão rabugento) é melhor adicionar uns fios brancos nesse cabelo.
Para não dizer que faz tempo que não posto, posto antes que o tempo se torne longo, sem posts.
“O fabuloso destino de Amelie Poulain”. É sobre isso que vim falar!
Desbancou “Pleasentville” (ou meu ex-filme-preferido, vulgo “A vida em preto e branco”) e sentou no trono do Melhor Filme que Vi Até Agora. 
Uma história simples, obviamente, de Amelie Poulain, uma francesa de 28 anos de idade que curte o mundo que ela mesma criou. Por conta desse mundo criado na sua infância, ela aprendeu a ser amiga da solidão; mas não despensa a companhia dos humanos.
Filme verde até quase estourar os filtros, com detalhes vermelhos (ok, não são extamente detalhes, já que a CASA da Amelie é totalmente vermelha) (amo!) e com um texto extremamente delicado.
Amelie gosta dos detalhes e é dessa perspectiva que todo o filme se desenrola. Falando em enrolar/desenrolar, Amelie adora dar uma enrolada, na verdade, em suas próprias palavras, ela gosta de “criar estratagemas”. =)
Enfim, fica a OBRIGAÇÃO de ver esse filme!
Sinceramente, eu torcia pro filme não acabar! Se fosse uma série, eu viciaria em dois segundos! =D