O tempo e vida passaram e todos nós mudamos.
Ao contrário do que acontece com muitas pessoas, eu passei a enxergar mais e melhor com o tempo.
Várias vezes decretei o resultado para Medicina na USP, mas que no final não se cumpria. Pelo menos não ainda.
Descobri inúmeras lentes e focos para este sonho. Alguns confusos e outros claros, mas no final, tudo se resumia a torná-lo ou não realidade.
Como eu haveria de saber?
Carregava uma bomba nuclear e não sabia.
Ela se instalava e explodia, contaminando a todos ao seu redor.

Medicina da Universidade de São Paulo.
Esqueci de dizer que não era lá muito original, mas ocupava uma bela área no Espaço dos Sonhos. Às vezes chegava a ser eleito presidente daquelas bandas, mas nunca tinha um mandato muito longo, afinal, nunca poupava ninguém, não ouvia o que os outros sonhos tinham a dizer, pode-se dizer que era um tanto mandão.
A medida que eu crescia e me transformava, com ele acontecia o mesmo. Ele mudou de voz, eu aprendi a lidar com ele e ele comigo.
Começamos a nos respeitar mais e nos ouvir. Claro que às vezes alguns embates aconteciam. Uns rápidos e fracos, outros fortes o bastante para assustar todo mundo por perto.
Nos ajustamos e esperamos o tempo falar de quem era a vez.
Outros sonhos foram recebendo seus títulos na minha Diplomacia do Sonho, outros desistiram e foram tentar outra vida. Mas ele continuou lá esperando ansioso o seu resultado. Como um jogador no banco de reservas ou um pai no corredor da maternidade.

Histórias nem sempre têm o começo que todos imaginam ou esperam.
Fatos inusitados que dão início a longas jornadas. Não são incomuns, apesar de serem, muitas vezes, inexplicáveis.
E foi assim que começou a história que vou contar a vocês.
Desde pequena fui sonhadora, sempre entre a fantasia e a realidade. Misturava tudo o que via e embalava num mesmo pacote. Para mim, não havia separação entre o mundo real e o mundo da fantasia. Tudo eram experiências para a minha vida, e a vida, é fato.
Muitos sonhos e fantasias que queria tonar um fato reconhecível para os outros foram tão passageiros quanto o tempo. Outros perduraram até acontecerem em todas as esferas. Alguns estão vivos até hoje, esperando a sua vez na ordem de chamada. E ainda outros, exibem orgulhosos seus quadros de reconhecimento por “realização”.
Um desses sonhos nasceu em janeiro de 2004 e durou até hoje. Como parte da sua personalidade, ele era instável e sensível, mas extremamente forte. É verdade que por ser facilmente influenciável, gostava de ir morar na geladeira por um tempo, até se resolver consigo mesmo. Depois voltava, todo contente com as soluções que conseguia.
Não era fácil lidar com ele. Era forte e dominador, aparecia quando não era chamado. Sempre arranjando confusões. Possuía o dobro de teimosia que eu, e se apegava muito fácil ao que os outros diziam sobre ele.
Seu nome carregava muita força, só por falá-lo. Nada muito simples.
(continua…)
